O novo e sensacional disco de Keith Richards
- 26 de set. de 2015
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O novo álbum de Keith Richards, Crosseyed Heart, divide opiniões entre os fãs, mas a crítica tem sido amigável com o disco.
O disco já começa te levando pro lado de Robert Johnson, a faixa título traz apenas Keith e seu violão, o blues descompromissado tendo como letra o que vier em sua mente, fazendo com que a canção que dá nome ao novo álbum de Keith Richards tenha apenas um minuto e cinquenta e três segundos, não é uma faxa título que você vê todo dia! Mas não é só de improviso que esse álbum é feito, logo em seguida nos temos ''Heartstopper'', eu confesso que não entendi muito bem o que o Keith quis fazer no refrão quando a escutei pelal primeira vez, talvez a marinba (não tenho certeza se era uma) pode ser o que me confundiu um pouco, e Keith dá uma escorregada branda nos vocais, mesmo assim a minha reação foi completamente diferente na segunda vez que eu escutei, apreciei muito mais do que na primeira. Uma coisa bacana desse disco é que ele traz algumas das últimas gravações de Bobby Keys, sim! Ele é um dos músicos creditados, o saxofone do 'irmão de banda' de Keith dá seus últimos suspiros em Crosseyed Heart. Depois de 23 anos sem lançar um novo trabalho de estúdio, Keith mostra que o seu senso melódico continua tinindo, em faixas como ''Amnesia'' e ''Robbed Blind'', e por falar em Amnesia, essa faixa junto de ''Substancial Damage'' (talvez a faixa com o maior balanço desse disco) são algumas das coisas mais originais desse senhor, espero que Richards leve algo como Substancial para o próximo álbum dos Stones, se isso for acontecer, é claro. Essa canção foi a última a ser gravada, a sessão durou apenas 10 minutos. E finalmente chegamos no single, ''Trouble'' entrou na cabeça de todo mundo assim que foi lançada e da pra dizer que não houve nenhum comentário ruim sobre ela, pelo menos eu não vi. É aquela faixa que merece ser cantada em alto e bom som pela platéia, se essa canção não entrou na sua cabeça mesmo repetindo aquele refrão tantas vezes, então nada vai conseguir fazer isso. E do até agora único single do álbum nos vamos para o primeiro cover da track list, que é ''Love Overdue'', originalmente chamada de ''Love Is Overdue'', não faço ideia do por que tiraram o ''is'', mas enfim, o nosso veterano do Rock and Roll mostra mais uma vez que manda muito bem quando decide passear pelo Reggae, nessa canção que foi sucesso na voz de Gregory Isaacs em 1974.
Temos um pouco desse balanço que o Keith tem falado em ''Nothing On Me'', já que na bateria está o grande Steve Jordan, pra quem não conhece, ele apareceu no vídeo oficial de ''Trouble''. Mais uma vez o velho mostra que é um romântico, esse é um disco que tem ótimas baladas. Se você está passando por um momento não tão bacana assim na sua vida amorosa eu não recomendo certas canções, mas se você é daquele tipo de pessoa que curte uma foça, então ''Suspicious'' e ''Just A Gift'' vão acabar com você! Na primeira temos uma melodia familiar, vocal baixo, porém imponente e aquela insistência de quem não quer ver o amor acabar e na segunda, um dos climas mais envolventes de todo o álbum, mas se o assunto é uma atmosfera fascinante, então estamos falando de ''Illusion'', o dueto entre Keith Richards e Norah Jones é certamente a minha favorita de todo o disco. Chegamos na faixa Stoneana, ''Blues In The Morning'' traz todo o blues da melhor qualidade escrito por um Stone, logo chegamos em ''Something For Nothing'' que tem um belo coral, talvez remeta um pouco a algumas faixas de ''Exile On Main St.'', de belos corais - e pulando uma canção - vamos direto para ''Goodnight Irene'', o segundo cover, que traz Keith com uma voz que mostra bem os seus 71 anos, já que Richards não alcança algumas notas com facilidade, o que é muito estranho, pois na Zip Code Tour e na 14 On Fire ele colocava vocais com toda a força em canções como ''Happy'', estranho termos o oposto justamente em estúdio. Para fechar o álbum, nos temos o apelo de Keith nessa quase serenata chamada ''Lover's Plea'', confesso que no início essa faixa me lembrou um pouco de ''Hate It When You Leave'', mas isso não durou muito, logo a sessão de metais apareceu para abrilhantar ainda mais e fazer dessa canção um grande final para esse novo álbum de Keith. Crosseyed Heart deve ser escutado com atenção, assim conseguimos perceber todos os detalhes essenciais e também a bela produção que o disco recebeu, para muitos, esse trabalho tem tudo para ser considerado o melhor disco solo do eterno Rolling Stone.

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