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3 clássicos perdidos #2

  • 9 de mai. de 2018
  • 9 min de leitura

Coven - “Blood On The Snow” (1974)

O primeiro álbum do retorno desta seção no blog não é tão “perdido” assim, já que desde 2008, quando Jinx Dawson apareceu na internet, muitos fãs do Coven foram ao seu “encontro online”, e com o passar dos anos se fala cada vez mais sobre essa banda que não teve e talvez ainda não tenha o reconhecimento que merece.

O Coven foi a primeira banda Ocultista da história a lançar um disco por uma grande gravadora – é preciso ser tão específico assim já que no mesmo ano que o disco do Coven foi lançado, saiu praticamente de forma privada, apenas para pessoas do meio, o primeiro álbum da banda italiana Jacula, não se sabe em qual mês o disco foi lançado em uma prensagem de apenas 333 cópias. Em 1969, era lançado pela Mercury Records o álbum “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”, o disco deu o que falar e com o tempo, o Coven deixava de ser uma banda tão underground, tanto que mesmo após uma baixa na carreira, quando passaram dois anos sem lançar discos após 1969, Lester Bangs chamou o Black Sabbath de “reposta britânica ao Coven” em um artigo para a Rolling Stone sobre o primeiro lançamento do quarteto de Birmingham, em uma edição da revista de setembro de 1970. Mas o Sabbath nunca foi uma banda de fato Ocultista, já a formadora do Coven, a estadunidense Jinx Dawson, vem de uma família de Praticantes com formação Luciferiana, mas tudo era levado com discrição, até que Jinx formou o grupo em 1967 junto do baixista Greg Osborne – que adotaria o nome de Oz Osborne –, que já havia feito parte da banda Him Her and Them ao lado de Dawson. Quando a família soube que ela estava na estrada cantando sobre Ocultismo e fazendo o sinal dos chifres – a primeira pessoa na história a fazer o sinal durante um show de Rock And Roll –, principalmente seus avós ficaram desgostosos, em uma entrevista de 2009 para uma rádio dos EUA, Jinx disse que por um tempo preferiu não voltar para casa.

Em 69 sai o primeiro disco, mas quando a esposa de Roman Polanski, a atriz Sharon Tate, foi assassinada pela família Mason, um artigo na revista Time associou bandas com um trabalho de cunho mais obscuro com os crimes cometidos naquele ano por Charles Mason e suas companhias, cada uma com mais de 400 parafusos a menos. Na verdade, ainda hoje muitos jornalistas somam 2 com 2 para dar 5 e chamam a família Mason de “seita satânica”. A Mercury Records não deu apoio à banda e o disco foi tirado das lojas, o Coven enviou uma fita demo para a Elektra que não os assinou – o conteúdo da fita pode ser escutado no álbum “Jinx” lançado em 2013, já com a música que abre o disco, “Out Of Luck”.

Após Jinx gravar a voz para a canção tema do filme “The Legend Of Billy Jack”, de 1971, ela pediu que a performance fosse creditada ao Coven, mesmo ela sendo a única integrante na gravação da música, lançada pela Warner. A música é “One Tin Soldier” (escrita por Dennis Lambert/Brian Potter e originalmente lançada por The Original Caste em 1969) e alcançou o 1º lugar nas paradas, em 1972 a banda lança seu segundo álbum, agora pela MGM, o disco simplesmente intitulado de “Coven” contém uma versão da banda de “One Tin Soldier”, que foi lançada como single em 1973 e a canção retornou ao 1º lugar.

“Blood On The Snow”

Em 1974, como parte da Buddah Records, o Coven lança o disco “Blood On The Snow”, para o qual fizeram um vídeo no Walt Disney Studios. Talvez as demais faixas do LP não agradem os “hardcore fans” de Hard Rock, mas com certeza a música que dá nome ao álbum, e que tem um dos solos mais suculentos da história, pode agradar os fãs de Hard e Metal, até mesmo por sua atmosfera obscura. A guitarra é de Chris Nielsen, que canta menos neste disco do que em “Coven”, mas ele reveza os vocais com Jinx em “Don’t Call Me”, canção que abre o LP. A influência do Blues ainda está presente nesse álbum, mas “Blood On The Snow” é um disco mais pesado que seu antecessor. Pode até ser considerado mais belo, já que conta com lindas baladas como “This Song’s For All You Children” (escrita por Jinx em parceria com Cliff Stone e John Hobbs), “I Need A Hundred Of You”, “Lady O” (escrita para a mãe de Jinx) e “Lost Without A Trace”, talvez o grande momento de todo o álbum.

O terceiro trabalho de estúdio do Coven é mais pesado, mas também tem mais balanço em algumas canções, como é o caso de “Easy Evil”, que tem até mesmo instrumentos de percussão como congas. Esta é a única faixa não assinada por um membro do grupo, a composição é de Alan O’Day. O balanço é conduzido pelo clássico baterista do Coven, e talvez criador da blast beat, Steve Ross. Já os teclados foram tocados por John Hobbs e a produção é de Shel Talmy. Como já foi dito, o disco saiu pela Buddah Records, um dos executivos da gravadora era Neil Bogart, que tinha contato direto com o Coven e que quase assinou a banda na Casablanca Records, antes mesmo de assinar o KISS, até chegou a sugerir que a vocalista aparecesse na capa com o rosto pintado de branco e maquiagem preta fazendo seu rosto parecer um gato, “Jinx, The Cat”. A ideia não foi levada adiante e o Coven continuou na Buddah.

Essa beleza chamada “Blood On The Snow” saiu em 1974 e nunca foi relançado em CD e nem mesmo em formato digital. O único disco da formação original do Coven a ser lançado em CD é o próprio “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”.

The Cowsills - “The Cocaine Drain Album...Plus 6” (2008)

Agora, esse sim é um álbum perdido, literalmente! Anos após o fim da formação original da banda, sem os abusos do empresário e pai dos irmãos que eram parte do grupo, os Cowsills se reuniram para gravar algumas melodias inspiradas que só chegaram ao público no século XXI.

Em 1965, Bud Cowsill, o pai da família, se aposenta da Marinha e se torna o empresário dos filhos talentosos, Barry, Bill, Bob e John que pareciam ter uma carreira promissora à frente. Junto dele, sua esposa Barbara Cowsill também tomaria conta dos negócios, mas ele tinha em mente algo como a Família Von Trapp e não uma banda de Rock And Roll. Autoritário, simplesmente colocou a mãe dos garotos na banda, não é o que um adolescente que forma uma banda de Rock espera. Mas após singles que não deram em muita coisa, eles conseguiram um hit, a canção “The Rain, The Park & Other Things”, que conseguiu chegar no topo das paradas nos EUA, e logo Paul Cowsill entraria para o grupo. A banda estava rodeada de grandes talentos, entre eles, Waddy Wachtel, com quem o guitarrista e vocalista Bill Cowsill aprendeu muito, e entre todos esses talentos, estava a mãe dos garotos, que sabia cantar, mas que definitivamente estava ali contra sua vontade. E para piorar para os meninos, além da esposa, Bud decidiu colocar mais uma de suas crias na banda, afinal, eram sete! A última a integrar o grupo foi Susan Cowsill, que na época do lançamento do álbum homônimo de estreia do grupo, tinha nove anos de idade. A caçula da família só apareceria na capa do segundo LP, o “We Can Fly”, mas já estava no palco durante as aparições do grupo no Ed Sullivan Show, em 1967. E por falar na lenda da TV norte-americana, ele deveria ter recebido os Cowsills em 10 de seus programas, ao menos, eles assinaram para isso, mas o temperamento de Bud mandou tudo por água abaixo e eles fizeram apenas 2. Muitas pessoas só trabalhavam com ele apenas uma vez, Cowsill era um homem doente, alcoólatra e que facilmente se irritava. O pai da família Cowsill era abusivo de todas as formas, um coração de pedra, depois de uma discussão feita com Bill, demitiu o rapaz não só da banda, mas também da família, ao menos era isso que dizia no telegrama que foi enviado ao rapaz. Após o sucesso da banda ter sumido, Bud entrou absolutamente bêbado no quatro de Susan quando ela já tinha 11 anos, a intenção do homem era clara para a menina quando ele sentou em sua cama, logo ela pediu para que ele a deixasse em paz, após uma discussão, ele fez algo tão absurdo quanto o que já pretendia, deu soco na própria filha que o expulsava de seu quarto, a garota lhe respondeu com um chute nos bagos, e se contorcendo de dor ele finalmente saiu, aquilo significava muito mais do que parecia. Susan respondeu à altura e proclamou a futura independência da banda, após isso foi morar com Paul.

Para mais informações sobre a história da banda, assista o documentário “Faimly Band: The Cowsills Story”.

“The Cocaine Drain Album...Plus 6”

Em 1978, a banda norte-americana finalmente se reuniu para fazer o que desse na telha. Sabe-se que entre os membros do grupo na época estavam Bob, Susan, Paul, John e Barry, o encontro foi para gravar o álbum “Cocaine Drain”, que mostraria ao mundo uma banda amadurecida. E “mostraria” é a palavra certa, já que o disco produzido por Chuck Plotkin foi engavetado e em um determinado momento acreditava-se que as gravações estavam perdidas, até que em 2008, com a supervisão de Bob Cowsill, o disco foi remasterizado e lançado apenas em formato digital no iTunes.

“Cocaine Drain” é um trabalho para quem gosta de música comercial, já que temos um amontoado de boas composições do tipo, o álbum é uma beleza do começo ao fim e passa pelo Soft Rock com nuances de Country Music em algumas faixas, como é o caso de “Thinking Of You”, que mostra Susan em um de seus melhores momentos durante todo o álbum, se os garotos não gostaram da ideia de terem a irmã mais nova na banda na década de 60, provavelmente se sentiram abençoados em tê-la na década de 70, a garota havia se tornado uma grande cantora, tanto que assumiu de vez os vocais que um dia foram de Bob e Bill. À primeira audição, alguns momentos de certas canções parecem que não irão a lugar nenhum, quando de repente, “baam”! Bob Cowsill aparece com uma melodia marcante e segura o ouvinte. Apenas as faixas “Cocaine Drain” (John Hall), “Give Me A Chance” (Steve Ferguson/Chrys Atwood), “I Will Always” (Wendy Waldman) e “Part Of Me” (Buzzy Feiten) não são de sua autoria, mas até mesmo estas canções – especialmente “I Will Always” – tem parte envolventes.

O último disco do Mamas and The Papas talvez soaria algo como “Gettin’ Ready” e “Bitter Jest” se não fosse tão relaxado, outro grande momento de “Cocaine Drain” é “Is Your Love Alive?”, a última faixa, “Dance In A Dream”, também não fica para trás. Mas após esta canção, ainda temos mais seis canções de Bob, a primeira é “You’ve Got A Way”, escrita em parceria com o irmão Paul Cowsill. A gravação de algumas das últimas músicas do álbum parece ter acontecido nas reuniões de 79/80, já que certas músicas trazem um sabor muito oitentista, principalmente no caso de “Fallen For You”, outra bela performance do grupo, uns filhos da mãe! Literalmente. O álbum fecha com “Christmastime (A Song For Marissa)” (Bob Cowsill/Mary Cowsill), talvez a música mais comercial de todo o álbum, mais outra bela interpretação de Susan.

Após as reuniões dos anos 70 e 80, cada um seguiu seu caminho, os Cowsills só voltariam a lançar discos em 1998 com “Global”. Atualmente, o grupo conta apenas com Bob, Susan e Paul nas vezes em que se reúnem, Susan tem sua banda solo e Bob se apresenta apenas com voz e violão, o baterista John Cowsill não se reúne com o grupo já que é um dos membros da banda de apoio dos Beach Boys em suas turnês.

Titus Groan - “Titus Groan” (1970)

Enfim chegamos ao disco mais complexo desta publicação, o único disco lançado pelo Titus Groan. Acredita-se que banda foi formada, no caso de não ter aparecido no ano do álbum, no fim da década de 60, o quarteto britânico tinha Stewart Cowell – tecladista, guitarrista e vocalista – e Tony Priestland – instrumentos de sopro – como formadores, com eles estavam o baixista John Lee e o baterista Jim Toomey. A banda britânica de Prog recebeu o nome do livro de 1946 escrito por Mervyn Peake, a história critica tanto a monarquia inglesa, quanto sociedades que seguem tradições.

“Titus Groan”

Quando falamos de Titus Groan, não falamos de um Progressivo sonhador que parece ficar horas na mesma seção para experimentar, na verdade estamos falando sobre Prog de peso que te prende desde a primeira faixa, “It Wasn’t For You”. Até mesmo a maior faixa do disco te deixa querendo mais, tamanha é a voracidade de “Hall Of Bright Carvings”, mesmo com a música tendo quatro seções diferentes – “Theme”, “In The Dusty High-Vaulted Hall”, “The Burning” e “Theme” – e 11 minutos e 38 segundos de duração. Esta é a segunda música do álbum e também a último do lado A. Após algo forte como “Hall Of Bright Carvings”, o lado B começa com o som doce da flauta de Priestland em “I Can’t Change”, que mescla a beleza do Progressivo com algo mais introspectivo. Uma atmosfera semelhante surge com a balada “It’s All Up With Us”, que é seguida de “Fuschia”, a última faixa do álbum.

Após o lançamento de seu primeiro e único disco, o Titus Groan ainda lançou um EP com apenas três músicas chamado “Open The Door Homer”, que além da faixa título incluía “Woman Of The World” e “Liverpool”. As três canções foram incluídas no disco não autorizado “Titus Groan... Plus”, lançado em See For Miles Records em 1989, o mesmo aconteceu nos relançamentos oficiais de 2014 e 2018, este último em vinil de 180g. Tudo o que se sabe é que o grupo se separou pouco tempo após o lançamento do LP.

 
 
 

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